Como aprendi a ser minha própria chefe

Deixa eu confessar uma coisa: eu acreditava com todo a força desse mundo que seria bem fácil ter uma carreira solo. Fala sério?! Eu estava abrindo esse caminho com um casamento na Grécia, tinha pouco mais de quatro anos de experiência, já tinha atuado em diversas áreas, com trabalhos incríveis, passei por vários países fotografando, portfólio e equipamento de primeira, o que queria mais? Na minha cabeça era só dizer que estava disponível e ia chover trabalho.

2015 – Grécia – viagem que fiz para fotografar meu primeiro casamento em carreira solo.

Mas não foi bem assim. Logo de cara, tomei um belo banho de água fria. Comecei batendo em várias portas que não me foram abertas. As primeiras pessoas que me deram oportunidade foram algumas noivas que já tinha fotografado e, que me deixaram entrar em sua famílias e enfrentar os primeiros desafios. Sou grata a cada uma delas!

Quando eu pedi demissão o meu principal objetivo era construir o meu nome e, pra mim, isso representa estar a frente do meu trabalho, mostrar a minha cara e ser reconhecida pelo o que eu faço. Assim, eu precisei dizer não para oportunidades que, para muitos, eram vistas como imperdíveis. Eu não estava numa situação em que podia escolher trabalho, mas também não podia e nem queria sair da minha rota. Foram escolhas difíceis. Eu sabia que teria que pagar um preço por isso, e segui em frente firme, fazendo trabalhos onde os créditos fossem meus.

Eu tive vários pontos de mudanças que foram cruciais pra me fazer chegar onde estou. Um bem marcante dessa época, foi quando eu precisei fazer dinheiro para pagar as contas básicas (grava isso, contas básicas). Fiz uma campanha, fechei 10 ensaios a preço de banana e, quando fui fazer o primeiro – presta atenção, O PRIMEIRO – queria mostrar dedicação, fiquei mais tempo que o combinado (o dobro praticamente) e no final, na última foto, por um deslize meu, minha câmera foi parar no chão. Quando eu olhei estava câmera pra um lado e a lente pro outro. Me lembro como se fosse hoje, era uma manhã de quarta-feira. Respirei fundo, disse pra cliente que não tinha como continuar, peguei minhas coisas, entrei no carro, lembrei que tinha um outro ensaio marcado pra tarde, desmarquei, fiz tudo isso na maior tranquilidade do mundo. Cheguei em casa, entrei no quarto e desabei, chorei feito criança. Eu não estava acreditando que agora, além de não ter dinheiro pra pagar as contas, eu não tinha o que ia me dar dinheiro para pagar as contas, entende o meu desespero? Foi um pesadelo! Horas depois, eu levantei, tomei um belo de um banho, me olhei no espelho e falei: – Ótimo! Vc já chorou! Agora vá resolver o problema.

A primeira coisa que fiz, foi arrumar uma câmera emprestada. Agora, mais do que antes, eu não podia perder trabalho. Depois fui procurar saber qual foi o prejuízo. E pra te deixar a par, o prejuízo foi maior do que o valor arrecadado com TODOS os 10 ensaios que eu fechei. E detalhe: eu precisava dar 50% do valor à vista antecipado pra mandar arrumar e o outros 50% à vista quando fosse pegar, mais ou menos 30 dias depois. Não tinha outra forma de pagamento, ou era assim ou não tinha máquina. E quer saber o que aconteceu? Paguei as minhas contas em dia, consegui consertar a minha câmera – aqui, tenho que levantar minhas mãos ao céu e, agradecer por ter uma família que pôde me dar suporte.

Bom, ali meu desafio estava só começando, foi minha primeira grande lição da minha carreira solo. Eu tomei consciência do valor do meu trabalho. Aprendi que além do meu tempo, eu tenho um equipamento que me custa caro e, que, mesmo eu amando o que faço, não dá pra sair no prejuízo. Além disso, descobri que eu precisava desenvolver as habilidades de gestão, marketing e networking para chegar onde quero. Eu precisava ser empreendedora, tomar as rédeas da minha carreira, ser a minha própria chefe. A partir desse momento tomei uma postura diferente.

Um acontecimento que, a princípio foi desastroso, se transformou numa base forte para minha carreira. E você, já passou por alguma tempestade que te fez enxergar o quão forte você pode ser? Tente perceber a importância delas. A calmaria só têm valor pra quem conhece a tempestade.

Gratidão! Com amor,

Ana Tereza Borges