Pedi demissão, e agora?

Eu trabalho com fotografia desde 2011. Já iniciei minha carreira trabalhando com casamentos e revista e, com profissionais que tinham alto padrão de qualidade. Eu ralei, errei, aprendi, lutei e já quis desistir também, mas segui firme.

Eu tive o privilégio de encontrar uma pessoa que me adotou na profissão. Eu comecei com pouquíssimo conhecimento e nada de experiência e, um dia ele me disse que, foi justamente por isso que me chamou para trabalhar. Eu não tinha vícios, fui moldada do zero, eu tinha, ou melhor, ainda tenho, uma vontade incansável de aprender. Sou curiosa. Não tenho frescura para trabalhar e, não me basta só saber o que fazer, eu preciso saber o porquê e como eu faço para melhorar.

Nessa fase eu aproveitei TODAS as oportunidades que me apareceram. Viajei muito, fotografei de quase tudo um pouco, já cheguei a fazer 5 casamentos em uma única semana. Confesso, fui “workholic” (viciada em trabalho) por pelo menos 4 anos. Até que surgiu uma oportunidade de fazer um trabalho em Nova York, pra ser realizado bem no início do ano e, a galera do escritório queria aproveitar pra passar o ano novo lá e eu disse: “- Não quero ir! Prefiro ir no dia 2 de janeiro”. Na mesma hora pensei “Hããããããã. O que? Eu neguei uma viagem?”. Ali eu percebi que tinha alguma coisa errada acontecendo. Não era normal eu dizer não para uma viagem. Não era possível que eu estava perdendo o prazer em fazer uma das coisas que eu mais gosto nessa vida, viajar. Mas eu realmente não estava com vontade.

2012 – Embarcando para fazer um casamento na Itália

Um dia, minha mãe foi me visitar em Brasília, passou no escritório e, a galera contou pra ela que eu era a única “louca” que tinha a oportunidade de passar o ano novo em Nova York e não queria ir. Minha mãe olhou pra mim e disse: “-Não te quero lá em casa no ano novo!”. Foi uma brincadeira, eu sei, mas foi dela que eu aceitei viajar pro ano novo. E já que eu estava indo, tinha que aproveitar com tudo.

Embarcamos no dia 29 de dezembro. Me lembro de poucos detalhes da viagem, as coisas correram bem, mas eu estava incomodada, tinha alguma coisa errada. Passei a virada do ano a caminho do hotel. Eu tive alguns problemas no Brasil, que eu não conseguia resolver por estar longe. Foi um daqueles momentos que a vida te mostra que é preciso repensar tudo o que está fazendo. Foi exatamente o que eu fiz.

2015 – Trabalhando na viagem em que eu pedi demissão

Meu raciocínio foi seguinte: amo o meu trabalho, consigo viver bem, moro num lugar bom, numa cidade que sou apaixonada, porém, estou longe da minha família, minha vida social não existe, não tenho tempo para namorar, meus amigos estão longe e… a única coisa que estou fazendo da minha vida é trabalhar. Não dá mais. Chega!

Assim, antes da viagem terminar, chamei o meu chefe e avisei: “- É o seguinte, nós ainda temos alguns casamentos em que eu me comprometi estar presente. Você pode contar comigo em todos até o último que eu tenho marcado (dava mais ou menos 6 meses). E depois eu vou embora”. Eu não sabia pra onde, nem o que eu ia fazer. Eu só sabia que era isso que eu precisava fazer e fiz, sem saber qual era o próximo passo.

Eu pedi demissão, e agora?

(continua no próximo post)

Gratidão! Com amor, 

Ana Tereza Borges